Sibel Kekilli nasceu em 16 de junho de 1980 em Heilbronn, na antiga Alemanha Ocidental, filha de imigrantes turcos de origem curda. Seu pai era operário e sua mãe dona de casa, e a família mantinha fortes laços com a cultura e as tradições da Turquia. Ainda adolescente, Kekilli enfrentou conflitos com os pais por causa de seu desejo de independência e de seguir uma carreira fora dos padrões tradicionais. Após terminar o ensino médio, trabalhou em diversos empregos temporários, como atendente de loja, faxineira e até mesmo em uma fábrica de peças automotivas, tentando se sustentar enquanto buscava oportunidades no cinema.
Aos 21 anos, Sibel Kekilli mudou-se para Berlim e, em meio a dificuldades financeiras, aceitou fazer algumas cenas para produções adultas. Entre 2000 e 2002, atuou em cerca de uma dezena de filmes pornográficos sob o pseudônimo de Dilara. Essa fase de sua vida veio à tona anos depois, quando já era uma atriz reconhecida, e causou grande polêmica na imprensa alemã e turca. Kekilli nunca negou o passado e afirmou que aquela foi uma escolha difícil, mas necessária para sobreviver na época. Ela destacou que não se arrepende, pois a experiência a ajudou a entender os limites da exploração na indústria e a fortalecer sua determinação de seguir carreira artística de forma séria.
Em 2003, enquanto caminhava por uma rua em Berlim, Sibel foi abordada por um diretor de elenco que a convidou para fazer um teste para o filme Gegen die Wand (Contra a Parede), do diretor Fatih Akin. Kekilli impressionou pela naturalidade e pela intensidade dramática, mesmo sem formação teatral. O longa, que aborda o conflito entre a cultura tradicional turca e a liberdade ocidental, estreou em 2004 e foi ovacionado no Festival de Berlim, vencendo o Urso de Ouro. Sua atuação foi elogiada pela crítica alemã e internacional, e ela passou a ser reconhecida como uma atriz talentosa, capaz de transitar entre o drama psicológico e a emoção crua.
O grande salto para o reconhecimento global veio em 2011, quando Sibel Kekilli foi escalada para interpretar Shae, a amante de Tyrion Lannister, na série da HBO Game of Thrones. O papel a colocou diante de milhões de espectadores e exigiu que ela trabalhasse em inglês, língua que aprendeu durante as gravações. Kekilli trouxe uma mistura de vulnerabilidade e astúcia para a personagem, que se tornou uma das mais marcantes das primeiras temporadas. A exposição internacional também reacendeu o debate sobre seu passado adulto, mas ela lidou com a situação com transparência, afirmando que não deixaria que isso definisse seu trabalho.
Após Game of Thrones, Sibel Kekilli continuou atuando em produções alemãs e europeias. Participou de filmes como Mondfinsternis (2009) e Die Mamba (2014), além de séries policiais de sucesso na Alemanha, como Tatort. Em 2019, estrelou a comédia dramática Der letzte Mieter e, em 2022, apareceu em Sun and Concrete, que retrata a juventude em Berlim. Ela também se dedicou ao teatro, atuando em peças na Alemanha e na Suíça, sempre buscando personagens complexos que exploram questões de identidade, imigração e gênero.
Fora das telas, Sibel Kekilli é uma defensora dos direitos das mulheres e dos imigrantes. Ela já participou de campanhas contra a violência doméstica e a favor da integração de refugiados na Alemanha. Em entrevistas, revelou que sofreu agressões físicas do pai durante a adolescência, o que a motivou a se afastar da família por um período. Hoje mantém uma relação distante com os pais, mas diz que encontrou paz pessoal e profissional. Kekilli também é conhecida por ser reservada sobre sua vida amorosa, preferindo manter o foco no trabalho e no ativismo. Ela reside em Berlim e continua a escolher projetos que dialogam com sua história de superação e com as lutas sociais que abraça.